Eu torci de coração. Eu me senti representado. Não era jogo
do Internacional. CR7 não estava em campo. Eu falo de um garoto simples que ganhou o
mundo fazendo o que mais gosta. Ele veste a camisa que um dia já foi minha e
que pertence a milhões de crianças e adolescentes que sonham em viver do melhor
esporte do mundo. É difícil. Foi difícil. Mas eu resolvi escrever porque ele
conseguiu.
16 anos, magro, baixo, tímido, incrivelmente talentoso. Santos.
Copinha, Paulistão, Copa do Brasil e Libertadores. Campeão. Mundial? Degustação;
uma prévia. Passaporte carimbado. Destino? O brilho. Quis ele que fosse com a
camisa do FC Barcelona. “Mas ele não irá bem na Europa” e continuava empilhando
dúvidas. Foi-se a primeira temporada, fez novos amigos, passou a adaptação: ele
se soltou. E aí, meu garoto... Vai que é sua!
1 gol, 2 gols, 3 gols... 9 gols. Até que chegou a final.
Estádio Olímpico de Berlim. 70 mil pessoas. Foi o palco da consagração. O
choque da entrada em campo era visível. A concentração se fez maior. Iniciou a
jogada do primeiro gol. A polêmica fez parte. Ontem, involuntária. A bola na
mão parou dentro do gol, o apito do árbitro retrocedeu o mérito, travou a
comemoração e avisou que ainda não era a hora certa, mas que esperasse um mais um
pouco. Foi o combustível que faltava. A partir dali, havia algo guardado. Ele
não merecia ser coroado em um lance duvidoso.
A pressão adversária foi de praxe. Tudo ou nada. Não foi diferente, mas Piqué foi gigante! Ganhou as duas divididas no ar e serviu o garoto. Ele lutou com a bola, mas eles se entendem. São bons amigos. O passe foi pra Pedro. Seria irônico se o gol saísse de uma jogada daquele que tanto fez sombra ao brasileiro. Mas foi. Recebeu de volta e, com o recurso da perna esquerda, estufou os cordéis da meta defendida por Buffon, um dos melhores goleiros do mundo, para chegar à artilharia da competição, ao lado dos dois melhores jogadores do mundo.
Se os sonhos existem apenas em potência e não em ato, são estes que garantem o sucesso do que foi projetado. Pouco à pouco, e com muita resistência, é alimentado o merecimento. O futebol prega peças ao mesmo tempo em que se diverte com eventos cinematográficos. Cenas perfeitas. Atores predestinados.
Vai, garoto!
Brilha, Neymar!
Por mim. Por nós.
Por mim. Por nós.
-
Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas
Vai lá garotão Lucas! Tens a mão do jornalismo, já dá pra ver. Mete bronca aí, vou ler sempre, abraços
ResponderExcluirObrigado, Willy! Valeu o apoio!!! Abração.
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