domingo, 14 de junho de 2015

DEPENDÊNCIA OU MORTE

América do Sul: 13 países, 3 dependências e 380 milhões de habitantes. Fortemente colonizada por espanhóis e portugueses, e grande parte independente a partir do século XIX. Porém, adotamos um esporte e retrocedemos na história. Com a Copa América, as seleções sul-americanas apresentam-se baseadas em estrelas do futebol europeu, evidenciando a boa produtividade dos países locais. Entretanto, junto ao fator gerador, a não-manutenção de nossos jogadores devido à exportação.

Vejamos o abismo existente entre as duas maiores competições sul-americanas: a Copa Libertadores da América, de clubes; e a Copa América, de seleções. Em relação à primeira, o estrelato é local. Sem fugir do tradicional – em teoria, pelo menos –, são os atletas da casa quem brilham e ocupam as manchetes. Entretanto, não se torna suficiente perante aos atletas do exterior, adeptos do futebol moderno – característica europeia, embora criado na Argentina.

A seleção brasileira é um ótimo exemplo. Dos 23 jogadores presentes no elenco Canarinho, 18 atuam no Velho Continente. Ainda assim, o Brasil é o país com mais representantes em sua própria seleção. É irônico que este fato seja motivo de comemoração. Falando de clubes, lembremo-nos do Cruzeiro: estrangeiros apenas de dentro da América do Sul, com exceção de um atleta. Em contraponto, o grande FC Barcelona é servido de 13 jogadores não-espanhóis, entre eles, cinco brasileiros.

Entre fatos e números, sejamos coesivos: o futebol português é o maior inimigo da manutenção de nossos jogadores na América do Sul. Com trabalho de valorização e revenda, adquire jogadores jovens para futuramente negociá-los com outros clubes da Europa por um preço maior. Os que não dão certo retornam.  É uma logística prática e funcional, curiosamente ligada à história. Enquanto isso, permanecemos à espera de um novo Simón Bolívar. Pena que ele não jogava futebol.

Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas

Um comentário:

  1. Olá Lucas,
    Essa é a realidade do nosso futebol. Infelizmente nossos jogadores saem do berço direto para o aeroporto mais próximo. O pior, são apenas jogadores, e não tão craques assim! Abs.

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