domingo, 5 de julho de 2015

"TE PROMETE UM FUTURO ESPLENDOR"

Foi o roteiro perfeito: dia ensolarado, estádio lotado e o orgulho presente entre os mais de 45 mil torcedores chilenos. Em campo, estavam os representantes de uma nação bem estruturada, próspera e altamente sucedida. Por mais que nunca houvesse ganhado uma competição, a Seleção Chilena recebia esperanças de todos os lados. Enquanto os argentinos se baseavam em estrelas, o Chile usava a força do Universo: a conspiração era perfeita.

Já durante a Copa do Mundo de 2014, os adeptos de “La Roja” ficaram famosos por entoar seu hino à capela – mesmo fora de seus domínios. Sediando um campeonato, uniu o útil ao agradável, proporcionando espetáculos à parte a cada partida jogada. A satisfação de empurrar seu país era visível no olhar de cada torcedor, transcendendo os alambrados e enchendo de motivação cada jogador de sua equipe. Como pede todo espetáculo histórico, a final da Copa América 2015 começou de maneira triunfal: com um coro apaixonado do Hino Nacional.

A partida em si não correspondeu às expectativas dos presentes e telespectadores pelo mundo inteiro. Foi um jogo estudado, em que nenhuma das duas redes balançou – nem no tempo normal, nem na prorrogação, embora os perigos isolados. Assim, uma das goleiras do Estádio Nacional de Santiago foi coroada com o privilégio de receber o final dessa história lógica, em que apenas um sairia com a vitória. Então chegaram as disputas de pênaltis.

Seguindo a teoria, tudo poderia acontecer, mas o futebol é mágico, ele vai além dessas expectativas. Predestinados, os chilenos deram uma aula de como matar um inimigo com golpes precisos. Acertando todas as cobranças e contando com dois erros argentinos, o golpe de minerva ficou por conta de Alexis Sanchéz. Com sua frieza, cavou o buraco argentino, congelou minhas figuras de linguagem e fez do Chile, pela primeira vez, o grande campeão da Copa América 2015, presenteando a nação “Con que Chile en tus aras juró¹.

¹ “Com que Chile, em seus altares , jurou” trecho marcante do Hino Nacional Chileno.
Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas

domingo, 14 de junho de 2015

DEPENDÊNCIA OU MORTE

América do Sul: 13 países, 3 dependências e 380 milhões de habitantes. Fortemente colonizada por espanhóis e portugueses, e grande parte independente a partir do século XIX. Porém, adotamos um esporte e retrocedemos na história. Com a Copa América, as seleções sul-americanas apresentam-se baseadas em estrelas do futebol europeu, evidenciando a boa produtividade dos países locais. Entretanto, junto ao fator gerador, a não-manutenção de nossos jogadores devido à exportação.

Vejamos o abismo existente entre as duas maiores competições sul-americanas: a Copa Libertadores da América, de clubes; e a Copa América, de seleções. Em relação à primeira, o estrelato é local. Sem fugir do tradicional – em teoria, pelo menos –, são os atletas da casa quem brilham e ocupam as manchetes. Entretanto, não se torna suficiente perante aos atletas do exterior, adeptos do futebol moderno – característica europeia, embora criado na Argentina.

A seleção brasileira é um ótimo exemplo. Dos 23 jogadores presentes no elenco Canarinho, 18 atuam no Velho Continente. Ainda assim, o Brasil é o país com mais representantes em sua própria seleção. É irônico que este fato seja motivo de comemoração. Falando de clubes, lembremo-nos do Cruzeiro: estrangeiros apenas de dentro da América do Sul, com exceção de um atleta. Em contraponto, o grande FC Barcelona é servido de 13 jogadores não-espanhóis, entre eles, cinco brasileiros.

Entre fatos e números, sejamos coesivos: o futebol português é o maior inimigo da manutenção de nossos jogadores na América do Sul. Com trabalho de valorização e revenda, adquire jogadores jovens para futuramente negociá-los com outros clubes da Europa por um preço maior. Os que não dão certo retornam.  É uma logística prática e funcional, curiosamente ligada à história. Enquanto isso, permanecemos à espera de um novo Simón Bolívar. Pena que ele não jogava futebol.

Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas

domingo, 7 de junho de 2015

POR MIM, POR NÓS: VAI, GAROTO!

Eu torci de coração. Eu me senti representado. Não era jogo do Internacional. CR7 não estava em campo. Eu falo de um garoto simples que ganhou o mundo fazendo o que mais gosta. Ele veste a camisa que um dia já foi minha e que pertence a milhões de crianças e adolescentes que sonham em viver do melhor esporte do mundo. É difícil. Foi difícil. Mas eu resolvi escrever porque ele conseguiu.

16 anos, magro, baixo, tímido, incrivelmente talentoso. Santos. Copinha, Paulistão, Copa do Brasil e Libertadores. Campeão. Mundial? Degustação; uma prévia. Passaporte carimbado. Destino? O brilho. Quis ele que fosse com a camisa do FC Barcelona. “Mas ele não irá bem na Europa” e continuava empilhando dúvidas. Foi-se a primeira temporada, fez novos amigos, passou a adaptação: ele se soltou. E aí, meu garoto... Vai que é sua!

1 gol, 2 gols, 3 gols... 9 gols. Até que chegou a final. Estádio Olímpico de Berlim. 70 mil pessoas. Foi o palco da consagração. O choque da entrada em campo era visível. A concentração se fez maior. Iniciou a jogada do primeiro gol. A polêmica fez parte. Ontem, involuntária. A bola na mão parou dentro do gol, o apito do árbitro retrocedeu o mérito, travou a comemoração e avisou que ainda não era a hora certa, mas que esperasse um mais um pouco. Foi o combustível que faltava. A partir dali, havia algo guardado. Ele não merecia ser coroado em um lance duvidoso.

A pressão adversária foi de praxe. Tudo ou nada. Não foi diferente, mas Piqué foi gigante! Ganhou as duas divididas no ar e serviu o garoto. Ele lutou com a bola, mas eles se entendem. São bons amigos. O passe foi pra Pedro. Seria irônico se o gol saísse de uma jogada daquele que tanto fez sombra ao brasileiro. Mas foi. Recebeu de volta e, com o recurso da perna esquerda, estufou os cordéis da meta defendida por Buffon, um dos melhores goleiros do mundo, para chegar à artilharia da competição, ao lado dos dois melhores jogadores do mundo.

Se os sonhos existem apenas em potência e não em ato, são estes que garantem o sucesso do que foi projetado. Pouco à pouco, e com muita resistência, é alimentado o merecimento. O futebol prega peças ao mesmo tempo em que se diverte com eventos cinematográficos. Cenas perfeitas. Atores predestinados.

Vai, garoto!

Brilha, Neymar!

Por mim. Por nós.
-
Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas

Apresentação

Olá à todos. Muito obrigado por visitarem o Blog Opinabol - Crônicas Esportivas. Neste espaço, publicarei meus pensamentos sobre tudo que envolve o esporte em geral, seus ícones e acontecimentos importantes para mim, e talvez para você, mas que de qualquer maneira será válido no contexto informacional.

Agradeço a atenção e fique à vontade para colaborar, criticar e divulgar. Aceito parceiros!

Um abraço!
Lucas dos Santos Martins
Graduando em Jornalismo
Universidade Federal de Pelotas